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MOYSES LUPION - o civilizador do Paraná

 

A conquista da verdade sobre o passado não é nunca um benefício automático trazido pelo decurso do tempo: é um prêmio que cada geração tem de reconquistar na luta contra o esquecimento e a falsificação.

olavo de carvalho, filósofo


» Moyses Lupion foi a expressão maior de uma geração de homens que trouxe progresso e riquezas para o estado do Paraná. Um verdadeiro self made man, Lupion levou ao governo paranaense o seu empreendedorismo. A iniciativa particular de experimentação, inovação substituiram a filosofia e as palavras infecundas na condução dos projetos estaduais, despertando o potencial econômico semi-adormecido. A geração dos anos 1940 moldou a história do Paraná, dando um novo sentido de trabalho, fé e de interesse e significado humano às práticas públicas. 
Dona Hermínia e Moyses Lupion nos inícios dos anos 1940. Foto: acervo de Nina Lupion.

Nas entrevistas sobre a obra de Ayrton Lolô Cornelsen, um nome surgiu como grande impulsionador da vida pública paranense: Moyses Lupion! Lolô se referiu, por várias vezes, como um homem de bom coração, de grande visão estratégica, ousado e com desapego à vaidade. Esses julgamentos foram confirmados com o desenvolvimento dos trabalhos de pesquisa e em depoimentos colhidos junto aos colaboradores de seu governo, de 1956-61. Mesmo pessoas ligadas a partidos políticos contrários ao PSD, presidido então por Lupion, confirmaram esta imagem, nos incentivando a escrever sobre a vida de Moyses Lupion.

Governador por duas vezes do Paraná, Lupion teve uma vida de fortes contrastes: de menino pobre ao homem que construiu um dos maiores grupos empresariais do país; o governador que assumiu a missão e transformou um estado imberbe em uma das potências federativas do Brasil; o homem que passou da glória ao esquecimento, sem perder a bondade e a sabedoria. 

Eis as primeiras credenciais que apresento e que o discorrer da leitura só ampliará.


Moyses Wille Lupion de Troia

 

Lupion nasceu em 25 de março de 1908, na cidade de Jaguariaíva, Paraná. Filho do padeiro espanhol João Lupion de Troia e Carolina Wille Lupion, teve uma infância pobre, ajudava a família vendendo amendoim na estação da estrada de ferro da cidade natal. Em 1924, ele concluiu o curso ginasial no "Duílio Calderari", o Ginásio Paranaense, e o de guarda-livros, feito em período noturno na escola do professor Raul Gomes, em Curitiba. Aos 16 anos, foi para São Paulo, iniciando suas atividades na firma Ribeiro & Sguario, enquanto à noite cursava Economia. Formado pela Escola Álvares Penteado, transferiu-se para a firma A. E. Carvalho que operava com serrarias e na exportação de madeira, na qual chegou a gerente e, depois, sócio.  

40 anos após ter se encerrado no Paraná, A "Era Lupion" ainda não tem uma avaliação adequada.

De volta ao Paraná, em 1930, casou-se em Piraí do Sul com Hermínia, filha de Pedro Rolim de Moura e Joana Hilário Borba, esta filha do sertanista Telêmaco Borba. Moysés ergueu com seus irmãos o Grupo Lupion, de variada ramificação, administrando um conglomerado de 47 empresas espalhadas pelas regiões sul e suldeste do Brasil.  

A dedicação ao trabalho, o amor ao Paraná, a religiosidade e a extrema bondade foram qualidades referidas em entrevistas sobre o perfil político e pessoal do homem que, por duas vezes, foi governador eleito do Paraná. Lupion foi personagem principal de uma fase conturbada da vida política e administrativa do Paraná. 

Lupion, o desbravador do Paraná

Moyses Lupion foi um empresário bem-sucedido. Graças a sua visão estratégica, ousadia e desapego à vaidade, construiu nos anos 40 o maior grupo empresarial paranaense, um dos maiores do Brasil. Os seus empreendimentos se espalharam por todo Paraná, desbravando regiões com abertura de estradas e cidades. As atividades empresariais ligaram-no ao interventor Manoel Ribas, que o convidou a entrar para a vida pública. Primeiro governador paranaense eleito duas vezes pelo voto direto, Lupion assumiu publicamente a missão de transformar um estado imberbe em uma das potências federativas do Brasil. 

Lupion (centro) foi um pioneiro no desbravamento dos sertões paranaenses. As suas empresas abriram caminhos para o sudoeste e o seu governo colonizou o norte novo do Paraná. Foto em Maringá, em 13-11-1949

Moyses Lupion, Civilizador do Paraná

Lupion foi o civilizador do Paraná. Como homem público, introduziu a planificação de obras na administração estadual, estruturou o sistema educacional, o viário, o administrativo, concretizando definitivamente os caminhos para a autonomia paranaense das esferas socioeconomicas dos grandes estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Moyses Lupion foi o grande impulsionador da vida empresarial e pública do Paraná.


» Primeiro Governo

De origem humilde, do interior paranaense, foi um dos pioneiros do estado que compreendeu a grandeza potencial do interior. Empreendeu, ainda empresário, a abertura de estrada de Guarapuava a Cascavel. Lupion foi à governança do Estado, mas levou para o Palácio do Governo, a alma pioneira. Assumiu o compromisso de fazer o Paraná crescer. Como governador construiu largas rodovias rasgando os sertões, levando melhores condições de vida para os produtores paranaenses. Lupion governou com a visão de estadista, planejando o futuro do estado, que dependia, basicamente, da agricultura, vivendo os ciclos econômicos da madeira, da erva-mate, do café e da pecuária. O Paraná era um imenso território inexplorado, apenas parte de suas terras era ocupada e as diferentes regiões não se integravam. O Paraná era Curitiba, era o Sul. O governo Lupion integrou a geografia e os povos do estado, abrindo estradas, abriu-se a nova fronteira das terras roxas do norte novo. O paranaense que às vezes levava dez dias para atingir um povoado, porque não tinha transportes, porque não tinha estradas começou a ter a vida facilitada para o escoamento da produção para os centros de consumo e exportação. Estradas ao Norte, no Oeste, no Sudoeste — através dos sertões, desafiando rochas íngremes, serras e planaltos para escoar o café, algodão, madeira, erva-mate, milho pelo porto de Paranaguá, desviando-se do paulista mais próximo, ou por Santa Catarina. Ligou pontos. As obras urgentes de infra-estrutura possibilitaram rendas indispensáveis para o desenvolvimento do Paraná. Prevendo a etapa econômica da industrialização, Lupion implantou o primeiro plano energético do estado. 

Segundo Governo

Após percorrer o estado inteiro em campanha, o senador Lupion se reelegeu pelo voto direto, em eleições democráticas, realizadas em outubro de 1955. Lupion assumiu o governo em 31 de janeiro de 1956, eleito pelo Partido Social Democrático - PSD - (mesmo partido do presidente da república Juscelino Kubitschek de Oliveira) com a intenção de finalizar as obras de infra-estrutura empreendidas em seu primeiro mandato. As obras das áreas rodoviária, elétrica e portuária foram retomadas. A colonização do estado continuou, agora as novas fronteiras eram as do sudoeste paranaense. Um processo semelhante a do noroeste paranaense se deu no extremo oeste por controle de companhias colonizadoras (a CITLA - Clevelândia Industrial e Territorial Ltda) que manejavam com agricultores, colonos, posseiros, jagunços que se serviram de extensas áreas férteis, ainda sem a presença de uma burocracia pública montada, para o desenvolvimento paranaense. 


Irmãos Lucchesi. Antonio (esq) e Diogo foram ajudantes de ordem de Moyses Lupion em seu segundo mandato. Presentes em todas as viagens do governador pelo interior do estado, foi graças aos seus zelos que contamos com depoimentos e fotos do governo Lupion e do trabalho de Lolô Cornelsen no DER-Pr, nos anos 56-61.

Moyses Lupion, falecido aos 83 anos, em 1991, foi um "self made man". De garoto pobre de Jaguariaíva ao  empresário que construiu, antes de ser eleito governador em 1947, uma das cinco maiores fortunas do Brasil não se passaram 10 anos. O seu grupo administrou um conglomerado de 47 empresas produzindo riquezas para o Paraná. 


Hermínia Rolim de Moura Lupion

 

Moyses e dona Hermínia Rolim de Moura Lupion, tiveram três filhos - Leovegilda Rolim, Joana D'Arc e Ubirajara, este o único ainda vivo, que lhe deram 22 netos. Foi casado pela segunda vez com a sra. Vilma Ramon de Almeida Doepfer Troya.

 

 

 


 

 

 

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