Lolonet

ENGENHARIA  - AUTÓDROMOS

 

 

AUTÓDROMO INTERNACIONAL DE LUANDA

 

 

O CASO DOS DIAMANTES

 

Em 1974, em uma de suas idas a Angola, Lolô foi recebido por seu topógrafo no aeroporto, ansioso para ter uma conversa muito particular, urgentíssima. Preocupado com o que seria - Lolô temia que fosse algo relacionado aos materiais empregado na obra -, marcou-se um encontro no dia seguinte, às seis horas da manhã, na obra, onde, nesse horário, não haveria ninguém. Quando se encontraram, o topógrafo iniciou a conversa questionando a idoneidade dos sócios da Autodel. Lolô estranhou, questionou que não via motivos para desconfiar de seus contratantes. O topógrafo então afirmou que esses sócios eram de reputação bastante questionável em Angola e que provavelmente ele seria passado para trás na hora de receber sua parte do contrato quando o empreendimento estivesse pronto. Lolô procurou explicar que o contrato estava registrado e que não havia muitas possibilidades dele ser enganado. Cortando a conversa, o topógrafo sacou de trás de seu sarongue um saco de sal cheio de diamantes, jogou sobre a mesa, e faz uma proposta que deixou Lolô boquiaberto: ele trocava aquele saco de diamantes pela parte que lhe cabia na obra em Angola, ou seja, os 7% de todo o empreendimento. Sem saber o que fazer, Lolô questionou como ele faria para sair de Angola com todos aqueles diamantes (haviam pedras do tamanho de um ovo de codorna) e como ele faria para vender as pedras em Lisboa. O topógrafo apenas lhe disse que este era um problema que ele deveria resolver, que seria interessante ir a Lisboa, conversar com alguém de confiança e que com certeza encontraria uma solução para o problema. Ele só ressaltou que ambos discutiam um assunto extremamente delicado e que se Lolô contasse isso a alguém, provavelmente o topógrafo seria morto, porém, ele morreria primeiro. Na época, como atualmente, as minas de diamantes de Angola eram muito produtivas e o controle sobre a saída desses diamantes era extremamente controlado, os trabalhadores entravam e saíam das minas nus, ainda assim, em sua saída, havia uma rigorosa vistoria por todos os orifícios de seus corpos para evitar que esses trabalhadores saíssem com algum diamante das minas, e se houvesse a mínima desconfiança de que algum deles tinha algum diamante escondido, o encarregado da mina não teria duvidas em abrir o corpo desse trabalhador para fazer uma verificação mais “detalhada”, mesmo assim o contrabando de diamantes em Angola era e ainda é muito comum.

Ao retornar a Lisboa, Lolô procurou um amigo de nome Vitor Rebello, que morava no Tivoli hotel, para resolver o problema. Cinco dias depois, Vitor Rebello entrou em contato, afirmando que tinha compradores para os diamantes e que eles ofereciam vinte milhões de dólares. Feita a proposta, Lolô pediu um prazo para pensar melhor. Vitor Rebello argumentou que a resposta precisava ser dada o mais rápido possível, e que ele já tinha que marcar as passagens para que todos fossem até Angola concretizar toda a transação. Lolô consultou sua esposa Cleuza, que aprovou o negócio imediatamente.

Após resolver todos os entraves e tirar todas as dúvidas com Vitor Rebello sobre como seria efetuada a venda dos diamantes, o negócio foi fechado. No dia 06 de abril, ambos foram marcar o vôo para Angola, porém, só havia passagem para o dia  29 de abril, data então que ficou acertado a concretização do negócio. Iriam viajar além do Lolô e Vitor Rebello, mais três pessoas. Lolô não presenciaria a negociação, caberia a ele apenas passar os 7% do autódromo para o topógrafo e receber de Vitor os 20 milhões de dólares. Tudo acertado para a viagem, quando dias antes do embarque, no dia 25 de abril de 1974, desencadeou-se a Revolução dos Cravos. 

A revolução comunista foi fundamental para o fim do período europeu do arquiteto Ayrton Lolô Cornelsen, que além de perder o negócio dos diamantes em Angola (já que a revolução atingiu este país também), fez com que Lolô perdesse todo o dinheiro acumulado, durante todos os anos de Europa (cerca de 5 milhões de dólares da Grão Para e mais 10 milhões, equivalentes aos 7% de sua parte no autódromo de Angola, junto a empresa Autodel).

A revolução, no primeiro momento, criou  uma situação de caos em Portugal, com saques, invasões de propriedades privadas, empresas, confisco de bens. Em nome da igualdade, os militantes invadiram escritórios e queimaram toda a documentação existente. Lolô, que tinha seu dinheiro em forma de crédito, como investimento, na Grão Para, que teve seu escritório invadido e seus documentos queimados. 

A família Cornelsen retornou para o Brasil imediatamente após o inicio da Revolução dos Cravos, Lolô permaneceu em Portugal ainda por dois anos, na tentativa de reaver seu dinheiro.

Durante este período, ele ainda projetou dois hotéis, um para seu amigo Isidoro...no Estoril e outro para o Sr. Marlim Lisboa, na cidade do Porto. Após perceber que não haveria possibilidade de recuperar seu dinheiro, retornou definitivamente ao Brasil, em 1976. Trouxe na bagagem, apenas a fama conquistada, durante seus 10 anos de serviço na Europa e a frustração de ter projetos interrompidos, como o complexo turístico de Mussulo..

 

 

pinhais Jacarepaguá Luanda estoril

 


 

 

 

Lolonet portal lolô projetos fundação

 

   

 

nós | contato | mapa do site

© 2004 Tradiz