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ENGENHARIA - 

 

COMPLEXO DO ESTORIL

 

 

 

 

inauguração da pista, 1972

 

O empresário luso-brasileiro Lucio Tomé Feteira possui uma grande área em Cascais, Portugal, uma grande pedreira abandonada. Lolô vislumbrou na construção da via de ligação na Serra de Sintra, no eixo Estoril - Cascais - Sintra, Portugal, que apresentava um desnível na margem esquerda da estrada, em uma área de terreno com 823.530 metros quadrados, a instalação de um circuito que pudesse dar ao espectador das arquibancadas uma visão completa da corrida (fator que favorecia a venda dos lugares cativos na arquibancada) e justificava os grandes trabalhos de movimentação de terra, dificultado por lidar com um terreno duríssimo composto inteiramente de rochas. Feteira, que já conhecia dos seus trabalhos na Sociedade Anônima Caledônia, responsável por vários empreendimentos na América do Sul (entre os quais, o autódromo de Jacarepaguá), juntou-se à empresária Fernanda Pires da Silva, proprietária da construtora portuguesa Grão Pará, (posteriormente Feteira vendeu o terreno para Fernanda) para construir o sonhado autódromo de Portugal.  

 

Lolô, à direita; no meio, o presidente da FIA e ..., observam o início de obras de terraplenagem no terreno pedregoso.

Segundo um estudo elaborado por Lolô e seus técnicos, o local apresentava todos requisitos necessários para a instalação de um complexo com conceitos de integração de vários projetos distintos como autódromos, hotéis e parques. O relatório foi imediatamente aceito e a empresária o contratou para projetar um pólo catalisador de turismo.

 

um autódromo na Costa do Sol

 

As inúmeras vantagens que a costa portuguesa apresentava foram aproveitadas no projeto multifuncional de Lolô. A parte principal era o autódromo, que além das corridas tinha um cardápio variado de serviços a oferecer ao amante do automobilismo. A prestação de serviços seria uma forma de mantê-lo operando por todo ano, e não apenas nas temporadas de competições. O conjunto ofereceria os préstimos de uma auto-escola; de um local para teste de carros, pneus e outros acessórios automobilísticos; a formação de pilotos de corrida e treino de automobilistas de competição.

Lolô (centro) apresenta o seu projeto para o jornalista J. Filipe Nogueira (à direita), em outubro de 1966. No plano central, a curva da segunda variante do autódromo. Ao fundo, após a tribuna, vê-se a área destinada aos bungalows.

 

Em sua primeira fase, foi projetada a construção da pista de velocidade para fins desportivos. Este anel de velocidade impulsionou a realização das fases seguintes: a das obras das instalações (compreendendo o conjunto de boxes, garagens privativas; torre de controle; stands para exposição e venda de artigos de automobilismo e acessórios) e da arquibancada, que abrigaria todos espectadores sentados, formada por dois grandes corpos (um deles, coberto de 20.000 lugares; o outro para 50.000).

Fernanda Pires e Lolô analisam projetos do autódromo do Estoril, 1972.

 

Um complexo turístico

Lolô, em Portugal, 1971

Os projetos realizados em parceria com Feteira redirecionaram as funções iniciais planejadas para o Estoril. Lolô vislumbrou o potencial turístico da região e, levando em consideração a possibilidade de conseguir realizar um empreendimento mais rentoso propôs ao grupo Grão-Pará a construção de um complexo turístico completo com restaurantes, bares, piscinas e quadras de tênis, além de um drive-in, com tela de 11 x 25 metros e lugar para 600 veículos. 

Planejou locais próprios para o Karting, o motociclismo, a motonáutica e a vela. A área inicial de 50 hectares foi alargada para 1.300, com a construção de um lago artificial, com cerca de 800 metros de comprimento por 100 de largura destinado para o desportos náuticos. Para o complexo esportivo, Lolô fez um parque de camping completo com heliporto e serviços de vigilância e de assistência médica. 

Equipamentos de apoio do complexo: drive-in, hotel, quadras de tênis.

Para o complexo foi projetado parqueamentos, um centro comercial, com espaço para 88 estabelecimentos de todo tipo, um centro de diversões anexo, e um hotel de categoria internacional (4 estrelas). Esta estrutura, na costa do sol, região litorânea de Portugal, atrairia um fluxo turístico independente das competições de velocidade. 

 

 

 

 

 

HOLLIDAY INN AUTO HOTEL ESTORIL


Para enobrecer o complexo, Lolô projetou um hotel seguindo a linha das arquibancadas, com um acabamento de concreto aparente e rústico, enfatizando o emprego do concreto armado – principal elemento da arquitetura moderna, principalmente a brasileira – na composição estética do conjunto. A planta do hotel foi composta em um semi-círculo com a parte côncava voltada para o autódromo, permitindo aos hóspedes da ala acompanharem de seus apartamentos as corridas na pista. Em seu subsolo foram alojados os setores de apoio do hotel que incluíam o dormitório do pessoal, lavanderia, oficina, depósitos e três frigoríficos. 

A planta do hotel foi composta em um semi-círculo com a parte côncava voltada para o autódromo

No pavimento térreo ficaram as áreas de serviços comuns do hotel - cozinha, escritório, direção, recepção entre outras - que foram concentradas no centro do edifício para facilitar a prestação de serviços e agilizar o trabalho dos funcionários que atendiam tanto aos hóspedes do hotel como aos usuários do autódromo. Ainda no pavimento térreo, pa parte central foram situados o hall de entrada, duas lojas, restaurante para 200 pessoas e acesso a área de lazer, situada no interior do semi-círculo com uma piscina, um bar ao ar livre, 4 quadras de tênis e puting-green encobertas peças paredes curvas do hotel. A distribuição dos apartamentos obedecia a uma ordem simétrica na asa esquerda e na direita do prédio, cada uma com quarenta apartamentos quarto, banheiro, roupeiro e varanda - por andar totalizando 160 cômodos. No pavimento superior, além dos apartamentos com acessos independentes nas duas asas, foi aberto um terraço com vista para as pistas do autódromo amparado por duas copas o que ampliava o conforto e a comodidade dos hóspedes e permitia a realização de festas e comemorações em um ambiente mais aberto que o restaurante principal. 

Vista superior da maquete da pista do autódromo do Estoril.

 

perspectiva da maquete do hotel no autódromo do Estoril

A composição estética do hotel respondeu as intenções da empreendedora do negócio, D. Fernanda, que quis utilizar a arquitetura moderna como chamariz turístico pelo seu caráter econômico e aspecto funcional. Até então, a legislação portuguesa não permitia que residências ou edifícios destoassem da composição urbanística da cidade, medida que impedia a modernização da paisagem da cidade e reforçava o atraso de Portugal em relação aos países mais abastados da Europa.  

 

Restaurante

 

Outro restaurante, o 1900, serviu de apoio direto aos eventos das pistas de corrida, estava situado no átrio de acesso às arquibancadas do Autódromo, podendo funcionar independentemente dos eventos automobilísticos. Cumpriu a função de atender a alta densidade turística do Conselho de Cascais que exigia, cada vez mais, a existência de apoios de qualidade que pudessem garantir um serviço extra-hoteleiro, dentro dos mesmos parâmetros para atender uma clientela diversificada.

O restaurante está situado no segundo piso da bancada central, lado sul, e ocupando uma área de 228 m2, podendo receber simultaneamente 100 pessoas. A exposição a sul era a mais favorável sob o ponto de vista de insolação e luz, valorizada ainda pelas enormes vidraças que “fecham”, de um dos lados, a estrutura de concreto e dão vista para a Serra de Sintra.

Todo projeto de arquitetura, do hotel as arquibancadas do Autódromo, são de autoria de Ayrton Cornelsen e a decoração dos camarotes e do Restaurante 1900 foram feitos pela decoradora-chefe do grupo empresarial Grão-Pará, Sra. D. Maria de Lurdes Martins.

O autódromo fez parte da estratégia do governo português de investir no mercado do turismo. A região de Cascais, onde foi instalado o autódromo de Estoril, hoje autódromo Fernanda Pires da Silva[i], já possuía uma estrutura turística de base com alguns hotéis, balneários e cassinos, mas ainda não apresentava um forte atrativo que pudesse desviar o foco dos turistas – geralmente para a cidade de Paris – para o território português. Com a ascendência dos esportes de velocidade em todo mundo, os governantes lusitanos acharam que a construção de um autódromo poderia ser um importante chamariz para eventos internacionais.

 

Maquete do Complexo Turístico do Estoril projetado por Lolô.

 

Revista Gp – n. 2 - NOV/DEZEMBRO, pág. 25

 

GP Arquivo

 

UMA OBRA DE GIGANTES

ASSIM FALOU DO AUTÓDROMO O PRESIDENTE DO AUTOMÓVEL CLUBE DO BRASIL

 

«Uma obra de gigantes», assim classificou o autódromo do Estoril o general Santa Rosa, há 22 anos presidente do Automóvel Clube do Brasil, no final do segundo dia das provas que assinalaram a inauguração.

«É preciso uma força de vontade de ferro acrescentou para se chegar onde a Sr. D. Fernanda Pires da Silva chegou em tão poucos meses. Esta obra é quase um milagre, pois há cerca de um ano não existia aqui nada e agora deparamos com esta realidade magnífica.

Continuando, o general Santa Rosa que se dedica ao automobilismo desde 1934, afirmou que «o autódromo do Estoril pode comparar-se aos melhores que existem no mundo as acomodações são óptimas e a pista oferece condições excepcionais, sem esquecer o serviço dos «boxes», que foi muito bem planeado, permitindo o acesso directo dos automóveis em prova, utilizando uma pista especial. A torre de cronometragem está muito bem localizada e o terceiro andar, todo em vidro, permite uma ampla visão do espaço envolvente».

O presidente do Automóvel Clube do Brasil, que prestou significativa homenagem a D. Fernanda Pires da Silva, entregando-lhe em nome da instituição a que preside, uma placa em prata, com uma inscrição em que se expressa toda a admiração pela obra realizada, sublinhou ainda que «nós que somos brasileiros, que somos portugueses, porque a comunidade é um facto, sentimo-nos entusiasmados com esta obra magnífica, porque qualquer progresso de Portugal é também um progresso para o Brasil».

 

PALAVRAS DO DIRECTOR-GERAL DA INFORMAÇÃO

 

Outro depoimento de muito interesse foi feito pelo Director-Geral da informação, Dr. Geraldes Cardoso:

Para quem, como eu, não percebe nada de fórmulas e de carros de corrida, é evidente que só posso pronunciar-me sobre a obra que está à vista e esta parece-me excepcional e inesperada. Viemos encontrar aqui, de repente, uma obra construída em grande, idêntica a muitas que existem no estrangeiro. É mais uma atracção turística com que o País fica a contar.

 

 

 

 

 

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