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ARQUITETURA

 

 

Alfred Agache

 

 

O Interventor do Paraná, Manoel Ribas (1937-45), em 1940, para resolver os problemas estruturais de Curitiba, na época com 120.000 habitantes, e preparar a capital para os festejos dos seus 250 anos, contratou a firma de engenharia Coimbra Bueno & Cia. Ltda, que participara das obras da construção da capital do estado de Goiás, Goiânia. Abelardo e Jeronymo Coimbra Bueno (os “irmãos Bueno”, como eram conhecidos) encarregaram ao urbanista francês (membro da Société Française des Urbanistes e criador do termo urbanismo) Donat-Alfred Agache a elaboração de um plano similar das cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo, Porto Alegre e de Santos. O Plano Agache (1943), como foi denominado posteriormente, representou a primeira tentativa de ordenação da cidade vista como um conjunto.

 


Plano Agache

 

Iniciado na administração de Rozaldo de Mello Leitão e concluído na do engenheiro Alexandre Beltrão, o Plano Agache, foi empreendido pela firma Coimbra Bueno. A escolha da empresa Coimbra deveu-se a uma coincidência, pois o Paraná possuia um interventor gaúcho, o Sr. Manoel Ribas – que com a divulgação dos trabalhos em Porto Alegre de uma firma do Rio, assessorado por uma autoridade francesa foi suficiente para que – com influência do Dr. Rosaldo Leitão - contratassem a Coimbra.  

Manoel Ribas (centro) recebe em 23 de outubro o Plano Diretor da cidade de Curitiba, feito pelo prof. Agache

Curitiba na época com uma população de 120 mil habitantes não tinha qualquer tradição em arquitetura, se destacava as obras do Sr. Ernesto Máximo, autor do projeto dos Correios, Colégio Estadual. O plano atendeu ao grave problema de Curitiba ter um centro com tendência ao congestionamento e à ameaça dos cursos d´água que provocavam enchentes e endemias. As distorções se estendiam ao sistema viário e de meios de transporte. Agache projetou um sistema com avenidas perimetrais, uma delas com características de avenida parque (AP 3), ligando todos os centros recreativos-culturais, os parques, a cidade universitária, os lagos (na saída de Ponta Grossa e na estrada do Cerne, com represamentos no Barigui). O Plano Agache foi executado sem alarde, sem propaganda, devido ao caráter áustero e discricionário do interventor Ribas, homem simples, sem pretensão alguma de publicidade. O Plano ficou conhecido como “Plano Agache” pelo fato que no Rio de Janeiro o seu nome era muito divulgado. E foi numa exposição dos projetos com detalhes – num clube Curitibano, defronte em sua antiga sede, na av. XV de Novembro – que o Prefeito Eng. Rosaldo Leitão surgiu com os folhetos “Apresentação do Plano Agache”, em sua equipe que possuía dois brasileiros – um deles chamava-se Jordano Sodré.

Alfred Agache (tirando os óculos da lapela) observa Manoel Ribas que analisa as plantas do Plano Diretor de Curitiba no Palácio São Francisco em 23 de outubro de 1943.

 

O acompanhamento das obras, pelas dificuldades de transporte entre o Rio de Janeiro e Curitiba, não havia rodovias asfaltadas, era feito por visitas esporádicas. Agache veio algumas vezes, outras os técnicos brasileiros. A técnica utilizada pela equipe de Agache para o levamento dos locais era com os topógrafos da prefeitura e os outros contratados por empreitada. O pagamento para a equipe do Agache era feita por diária livre de despesas quando estavam em serviço de campo. A equipe se hospedava na Rua Barão do Rio Branco em um anexo do Hotel Joncher.  

 

 


 

 

 

Com uma população de 150 a 200 mil habitantes, Curitiba possuía um centro totalmente bloqueado – tendo somente uma saída e entrada – que era a Rua Visconde de Nácar, que passava por uma garganta apertada na Rua Aquidabam – hoje Emiliano Perneta – que se prolongava até a Rua 24 de Maio. Todas as demais ruas do centro eram todas bloqueadas pelas praças – Rui Barbosa, Ozório, Tiradentes, Ouvidor Pardinho, Santos Andrade, São Francisco e Passeio Público com a praça do Círculo Militar – e de borla a Ferrovia da Rua Barão do Rio Branco.  Por esse motivo, Agache projetou um sistema radial para "furar" esse bloqueio (ver figura abaixo).


O caso de Curitiba foi completamente diferente de Rio de Janeiro. O Rio é uma cidade do centro para a periferia composta de um Patrimônio Histórico com prédios e casas centenárias – qualquer que fosse o plano iria sacrificar obras de interesse da Lapa, Laranjeiras, Mangue, etc... Em Curitiba não havia nada além do Largo da Ordem. O estudo da malha viária foi facilitado, porque o que existia pela frente não tinha nenhum valor – nem comercial, nem histórico, por isso, sujeito a desapropriações e indenizações.  

 

   

Curitiba com uma tradição européia – com forte tendência ítalo-germânica – acompanhou com bons olhos as obras de Agache. As comissões, que envolviam qualquer acontecimento de interesse público, sempre contavam com a presença dos professores da Escola de Engenharia do Paraná, Plínio Alves Tourinho (pai), Macedo, Puppi, David Carneiro, Carvalho Chaves. Por ser um urbanista conservador, Agache não provocou reações contrárias na sociedade curitibana, pois todas as suas obras seguiam a escola francesa com tendências ao neoclacissismo – na apresentação de massa se caracterizou essa forte tendência – como o caso do Centro Cívico. A sua equipe projetou as obras dos Três Poderes nos moldes do Palácio de Versalhes, muito clássico, com a parte técnica dos projetos eram de uma perfeição absoluta. Em Curitiba, para divulgar seus trabalhos, Agache fez duas palestras, uma para os estudantes outra para o corpo de técnicos da Prefeitura apresentando o que ele achava de Curitiba, quais os problemas e como pretendia solucioná-los. 

 


 

AS SOLUÇÕES DO PLANO AGACHE PARA CURITIBA

 

 

 

As soluções aplicadas para o urbanismo de Curitiba seguiram às seguintes prioridades:

 

1. saneamento: drenagem dos banhados, canalização dos rios e ribeirões e construção da rede de abastecimento de água e coletora de esgotos;

 

2. descongestionamento das vias urbanas do centro da cidade e criação das perimetrais externas (0, 1, 2 e 3);

 

3. disposição de órgãos públicos. Projeto de construção de um Centro Cívico (na área do atual) destinado às atividades administrativas, criação de um centro comercial, de um centro militar (Bacacheri) e de uma cidade universitária (Centro Politécnico) na periferia da cidade.

 

4. criação de áreas verdes e arborização: parques na periferia da cidade e a criação de um horto municipal;


 


Agache aplicou o "Zoning" em Curitiba. Criou-se uma nova fisonomia da cidade, descongestionando o centro (resolvendo o problema do tráfego); estabeleceram-se ligações externas, solucionando problemas básicos (saneamento, luz); delimitaram-se os centros funcionais, codificando os edifícios, estabeleceram-se padrões para o crescimento urbano, além de integrar e gerar áreas verdes.

 

1. Linha de Trem 

2. Avenida Perimetral

3. Avenida de Apoio

4. Estação Pinhais (antonina-paranaguá)

5. Rodo-Ferroviária Central

6. Parque Barigui

7. Avenida Parque (ligando todos os parques da cidade) a periferia do último anel foi projetada para o cinturão verde e construções de baixa densidade – portanto era previsto dentro do perímetro do Município uma população máxima de 900 mil habitantes – onde todos os prédios teriam seis e oito pavimentos.  

Esquema do planejamento viário de Curitiba. A avenida perimetral 3, última linha desse sistema de círculos concêntricos, era a avenida-parque que ligava parques, bosques, barragens e a parte cultural de Curitiba

 


 

Visão do esquema radial do planejamento viário de Curitiba. A avenida perimetral 3, última linha, desse sistema de círculos concêntricos, era a avenida-parque que ligava parques, bosques, barragens e a parte cultural de Curitiba. Em uma de suas palestras, presenciei como Agache via Curitiba, como analisava o centro da cidade, o diagnóstico de circulação; citou também que as avenidas perimetrais cumpriam papel fundamental de disciplinar o trafego, as conectoras, radiais, o terminal de massa metropolitano, etc. etc. - depoimento de Lolô Cornelsen.

 

 

 

Para o tráfego central, Agache planejou a construção de grandes avenidas sem interferências - conectoras e perimetrais - para o escoamento rápido centro-bairros e bairros-bairros. Projetaram-se no sentido nascente-poente as avenidas:

 

- Visconde de Guarapuava;

- 7 de setembro;

- Silva Jardim;

- Getúlio Vargas.

 

Em vermelho, a área de influência da implantação da AP-0. no círculo, o centro histórico de Curitiba.

 

Elas tinham a função de escoamento rápido da porta da Rodoferroviária (também projetada por Agache), interligando todo um sistema de distribuição metropolitano (a população da periferia).

 

 


 

  


 

Elaborado em dois anos (1941-1943), o Plano Agache foi entregue na gestão do prefeito engenheiro Alexandre Beltrão (1943-44). Abaixo, alguns pontos de destaque do projeto:

 

 

 

- as grandes avenidas, como a Visconde de Guarapuava, Marechal Floriano Peixoto e Sete de Setembro; 

- as galerias pluviais da Rua XV de Novembro; 

- o recuo obrigatório de cinco metros para novas construções; 

- a Zona Industrial, atrás da Estação Ferroviária; 

- a previsão de áreas para o Centro Cívico e o Centro Politécnico; 

- o Mercado Municipal. 

 

 

 

Em seu plano, Agache concebeu o Centro Cívico como “uma praça de características especiais, dos edifícios destinados aos altos órgãos da administração Estadual que, além da função de centro de comando, pudesse bem denominar-se como sendo a “sala de visita da cidade”, apresentando um conjunto de arquitetura especial em harmonia com o tratamento paisagístico da ampla praça central”. O pólo político no entender do Agache tinha que abranger os Três Poderes e para isso necessitava de uma área próximo ao Centro, de fácil acesso e superior a 20 ha. Encontrou-se uma Indústria de Estearina (fábrica de velas) com essas características e ali implantou-se o Centro Político. As obras projetadas para aquele centro eram feições parisinas, um clássico sóbrio projetado pela sua própria equipe, que com o Centenário do Paraná, o governador Bento Munhoz da Rocha, convocou em São Paulo um paranaense que lá residia, o Eng. Elato Silva que, por sua vez, contratou a equipe do Azambuja para consolidar o desejo modernista do governador.  


 

 

concepção do plano:

 

perímetro central - 8 pavimentos

conectoras - hoje, vias rápidas

máximo 4 pavimentos

residencial - 2 pavimentos

recuos -residencial

edifícios centro - 50% ocupação do terreno

Os planos de Agache atendiam ainda um Estádio Municipal em uma área a leste do Passeio Público, entre o Capanema e o Atuba, nas imediações do Tarumã. Para o Cassino do Ahu, onde funcionava o cassino, projetou um parque. Junto à cidade Universitária, próximo hoje do centro politécnico, o cemitério-parque. 
Projeto de construção de um Centro Cívico na área do atual (foto acima e ao lado esquerdo) destinado às atividades administrativas, criação de um centro comercial, de um centro militar (Bacacheri) e de uma cidade universitária (Centro Politécnico) na periferia da cidade.
Perspectiva do Centro Cívico


Área em destaque:

Intervenção do Plano Agache, correspondente aos limites do município em 1943: 

- 88 km², diâmetro aproximado de 7,5 km

ÁREA ATUAL: 

432,17 Km², Norte-sul: 35 km

Leste-oeste: 20 km.

 

Mapa de Curitiba, 2004.

 

A TIMES SQUARE CURITIBANA

 

 

 

Com a intenção maior de desafogar o centro de Curitiba, Agache projetou o prolongamento das ruas Vicente Machado e Carlos de Carvalho, se unindo com a Rua Cândido Lopes – onde existia o Corpo de Bombeiros -, também tinha sido desapropriado o Edifício Brasilino Moura. Desde o Edifício Tijucas até a praça Tiradentes a rua tinha sido aumentada para 80 metros de largura. Portanto, com o alargamento da Cândido Lopes e a criação da linha leste-oeste, a Prefeitura ficaria entre duas ruas e com uma abertura entre onde hoje está o Shopping Munifetacla e a Universidade. Assim a Universidade ficaria com frente de uma lado para essa avenida e do outro, ficando com o destino ao leste totalmente livre – pela Rua XV à direita e pela Amintas de Barros à esquerda. Pois bem, com a saída dos bombeiros da Cândido Lopes, e da demolição do prédio de frente o Frishmann, a Rua Cândido Lopes já estava totalmente definida, faltando somente o quarteirão da Rua Riachuelo com Presidente Faria, que já estava negociado e pronto para a abertura final.  

 

 

1 - praça osório

2 - rua carlos cavalcanti

3 - rua cândido lopes

4 - alargamento da rua dr. Muricy

5 - área desapropriada - futura biblioteca pública

6 - corpo de bombeiros desapropriado - futura sede do banco do brasil

7 - alargamento da av. Marechal Floriano

8 - bifurcação rumo ao Centro Cívico

9 - eixo oeste-leste, rumo estrada das praias

10 - rua Xv de novembro

 

 

 

 

 

Para completar o escoamento da eixo leste-oeste, Agache planejara a construção, aonde se localiza atualmente o Teatro Guaira, de uma grande avenida, entre a Amintas de Barros e a rua XV, até a estrada das Praias, hoje conhecida como BR-277. É preciso notar que toda a área dessa nova conectora era formada por terrenos baldios e estava desapropriada. 

 

Prédio da Prefeitura em 1940. A proposta do Agache para a Prefeitura era no quarteirão com frente para a Tobias de Macedo - que ficaria com a frente para a rua principal do eixo leste-oeste, não comprometendo sua estrutura com relação a Catedral Tratava-se de uma lâmina de seis pavimentos com torre central (tipo Central do Brasil). O Plano Central era o ponto mais importante das radiais – pois cortava a Praça Tiradentes em duas partes – ligando a Marechal Floriano com o alargamento de 80 metros – ligando em diagonal com a Barão do Cerro Azul e cortando na perpendicular a Cândido Lopes, seguindo direto até onde é o Teatro Guaíra – onde seria a primeira rotunda de distribuição. 

 


 

 Obras Estruturais do Centro

 

 

 

Com todas as áreas estavam desapropriadas, com dotação orçamentária fixada pelo Interventor Manoel Ribas e executada pelo primeiro governo Lupion (1946-51) as obras mais urgentes eram:

 

- alargamento da rua Marechal Floriano atingiram o ponto 0 do centro curitibano - a Praça Tiradentes - encontrando-se com a rua Barão do Cerro Azul. 

 

- alargamento da conectora norte-sul, a rua Desembargador Motta do alto das Merces até o encontro com as estradas da saída para o sul. 

 

- implantação da conectora do centro viário, a rua Mariano Torres, que daria vazão ao fluxo Santa Catarina-São Paulo via Juvevê e Avenida Paraná.

 

- prolongamento da Praça Santos Andrade até a praça de frente ao atual Circulo Militar.

 

 

 

 

Pela semelhança com Nova Iorque, Agache projetou para o centro curitibano uma Times Square, formando um sistema de lazer e comércio entrecortado pelas principais vias centrais da capital. Com a retificação do Rio Ivo, surgiu a Avenida Canal (denominação do Plano Agache), hoje Fernando Moreira, que se juntava com as ruas Carlos de Carvalho, Vicente Machado, Comendador Araujo desembocando todas na rua Candido Lopes. Quem seguisse pela Cândido Lopes teria em sua abertura, como pano de fundo, a Universidade do Paraná, situada entre a travessa Bufren, Amintas de Barros e Rua Xv de Novembro, com abertura total até a Estrada das Praias.

 

 

Ponto nevrálgico da Times Square curitibana, cruzamento das ruas Carlos de Carvalho e a Cândido Lopes

 

 


 

 

Os principais desvios na implantação do plano agache

As principais deformações na implantação do Plano Agache começaram na gestão do governador Bento Munhoz da Rocha (1951-56) e nas administrações municipais de Erasto Gaetner (1951-53), Dr. José Luis Guerra Rêgo (1953-54), dos militares Ney Braga (1954-58) e Iberê de Mattos (1958-61). Eles foram os responsáveis por obras que praticamente inviabilizaram uma das maiores conquistas do Plano Agache: o desbloqueamento das vias centrais de Curitiba.Porém, ignorando os projetos viários centrais do Plano Agache, mesmo com todos os serviços de desapropriação prontos, os administradores paranaenses liberaram a construção de prédios que inviabilizaram a implantação ideal do sistema de circulação. Para as festividades do centenário da emancipação do estado do Paraná, em 1953, o governador Bento Munhoz da Rocha iniciou a construção da Biblioteca Pública do Paraná, também em 1953, na área desapropriada do Corpo de Bombeiros, bloqueando a implantação da grande conectora da rua Cândido Lopes, impedindo definitivamente as vias de escoamento do tráfego central de Curitiba com a autorização da construção do Edifício Brasilino Moura pelo prefeito Erasto Gaetner. No quarteirão seguinte, o então prefeito de Curitiba, Ney Braga (1954-58), doou ao Banco do Brasil terreno para sua sede. A implantação da grande conectora do eixo leste-oeste foi abortada. 

 

 

o edifício Brasilino Moura (o Balança mas não cai) bloqueou o alargamento da rua Cândido Lopes Construção da Biblioteca Pública no terreno do antigo Corpo de Bombeiros da rua Carlos Cavalcanti, 1953.

 

Bloqueio causado pelo Banco Brasil, na praça tirandentes, prédio inaugurado em 1960.

 

 

Teatro Municipal de Curitiba

 

Porém, duas outras obras impediriam de vez o centro viário planejado por Agache. Com a desativação das obras do Teatro Municipal que estava sendo construído no local indicado no Plano Agache – na Praça Rui Barbosa - local onde existia o Quartel de Infantaria, que havia sido transferido para continuação do Plano em Concurso Público, ganho pelo arquiteto italiano Barontini, de indicação do próprio Agache (estilo clássico). Este teatro já estava com todo estaqueamento cravado quando o governador Bento transferiu-o da Rui Barbosa para o terreno baldio da Conselheiro Laurindo – implantando o Teatro Guaíra, projeto de Rubens Meister. Agache planejou o Teatro Oficial do Paraná para a praça Rui Barbosa. O governador Moysés Lupion realizou um concurso público para escolher o projeto, e ainda em seu governo (1947-51) foram feitas as obras de fundação do prédio. Mas, o governador Bento Munhoz ignorou tal feito e, com apoio do então prefeito Erasto Gaetner, deslocou o projeto da Rui Barbosa para a praça Santos Andrade, com uma nova concepção arquitetônica (escolheu-se um projeto modernista de Rubens Meister). Porém, a instalação do Teatro Guaira na praça Santos Andrade trouxe conseqüências negativas que nos atingem até hoje, senão vejamos:  

 

- não tinha vias de acesso;

- não tinha estacionamento para os seus freqüentadores

- bloqueava a construção do eixo oeste-leste (já desapropriado).  

 

 

O deslocamento do Teatro Oficial da Praça Rui Barbosa para a Santos Andrade causou danos no escoamento do eixo leste-oeste. O Teatro Guaíra construído sem estacionamento agravou a concentração de prédios públicos de grande atração populacional. Na mesma quadra, temos os Correios, a Universidade Federal do Paraná e o INSS. Foto montagem do Teatro Guaira, projeto de Rubens Meister, 1953.

 


 

Terminal rodoviário metropolitano do guadalupe

 

 

 

Contrariando as diretrizes do plano Agache, o prefeito Capitão Ney Braga implantou o terminal rodoviário de ônibus na praça central do Guadalupe, agravando o já congestionado tráfego da região central de Curitiba. Agache planejara o terminal junto à estação rodoferroviária, apenas 4 quadras abaixo, onde era abastecida por amplas conectoras como a Visconde de Guarapuava, Sete de Setembro e Av. Iguaçu. Não satisfeito com o Terminal no Guadalupe, Ney Braga permitiu ainda a construção da Igreja ao lado do terminal, criando mais um pólo de atração de pessoas e automóveis (nota-se que floresceu um comércio no entorno da Igreja).  

 

 

A inauguração em maio de 1958 do Terminal rodoviário do Guadalupe pelo prefeito Ney Braga aumentou a concentração de ônibus e pessoas em uma área de difícil escoamento de tráfego.
Terminal Metropolitano do Guadalupe congestiona o centro com o tráfego dos ônibus que atendem a região sul de Curitiba (ligeirinhos) e a regiõa metropolitana.

 

 

A rodoviária de Curitiba e o monumental viaduto do Capanema segundo projeto Agache. A atual rodoviária de Curitiba foi construída no local escolhido por Agache 

 


 

BLOQUEIO DA AV. MARECHAL DEODORO COM A MARIANO TORRES

 

 

O prefeito Gal. Iberê de Mattos (1958-1961) bloqueou a avenida Mal. Deodoro junto à esquina da rua Mariano Torres quando permitiu a construção de um edifício de 22 andares. O prédio inviabilizou o alargamento da avenida, impedindo de se concretizar uma grande conectora leste-oeste.

 

 


 

 

Agache foi o Pai do Urbanismo. Não só foi o pioneiro como o criador de vários conceitos, no caso do Rio de Janeiro, no centro novo – a utilização dos centros de quadra para estacionamento coletivo, formando por uma quadra gabaritada como galeria para os peões.

 


RUA DESEMBARGADOR MOTTA

 

A rua desembargador Motta foi projetada para ser uma grande conectora de escoamento do eixo norte-sul, uma pista larga, com capacidade para 8 faixas. Hoje, podemos ver ainda algumas dessas faixas instaladas como estacionamento na altura da praça da Espanha. A sua implantação foi abortada por interesses imobiliários, como a construção do Shopping Curitiba, que não respeitaram o recuo planejado.

 

Recuo observado da Desembargador Motta na altura com a rua Julia Wanderley. O alargamento previsto por Agache permitiria uma avenida de grande capacidade para o escoamento do tráfego do eixo norte-sul.

 

 

 

 

o shopping Curitiba além de não respeitar o recuo previsto, ainda se reserva ao direito de assumir uma pista da rua.

 



 

concepção do plano:

 

Os planos de Agache atendiam ainda um Estádio Municipal em uma área a leste do Passeio Público, entre o Capanema e o Atuba, nas imediações do Tarumã. Para o Cassino do Ahu, onde funcionava o cassino, projetou um parque. Junto à cidade Universitária, próximo hoje do centro politécnico, o cemitério-parque. 

 

 

 

 

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